Trocámos de baralho, mas a culpa (naturalmente) nunca foi das cartas


I
1, 2, 3, 4, os Internacionais do Sporting que em Varsóvia preparam o próximo campeonato Europeu de Selecções. Algo que pouco lembrará aos que vêem os problemas do Sporting CP, FC do Porto, SL e Benfica e todos como relacionados com dinheiro, e não opções, ou inteligência. Dinheiro a mais, talvez, que apesar do constante queixume nunca escasseia.

II
Rui Patrício, João Pereira, Miguel Veloso e João Moutinho, 4 nomes que foram parte de uma das duas épocas mais traumáticas da história recente do Sporting e época da qual fez parte o actual Seleccionador Nacional - Paulo Bento. Todavia, nessa época traumática (e traumatizante porque muitos problemas que enfrentamos hoje relacionam-se com ela), estes 4 jogadores venceram em Alvalade o FC do Porto por 3-0. Porquê?
Porque é assim enfim ... jogadores muito bons arriscar-se-ão sempre à obtenção de vitórias. A incapacidade de perceber que os problemas do futebol do Sporting em 2008/09 e desastroso início de 2009/10 residiam nas concepções do seu treinador custaram ao Sporting 1 temporada classificativa memorável, criação de confusões que levaram à perda de activos desportivos fundamentais (porque de qualidade) e uma segunda temporada perfeitamente desastrosa - esta não responsabilidade de Paulo Bento mas, dos que tinham como missão vigiar Paulo Bento.

No fundo não existe mistério, porque quem não percebia ser necessário mudar de treinador também não iria perceber o despropósito de vender Miguel Veloso para Génova, João Moutinho para o FC do Porto, o assumido risco de uma contratação como a de Paulo Sérgio e muitas outras decisões que nada tendo que ver com dinheiro são aquilo que constantemente compromete as aspirações desportivas do Sporting.

III
Fazemos paralelismo com 2011/12 e congratulamo-nos por ter existido quem percebesse residirem os problemas do futebol do Sporting nas concepções do seu treinador - Domingos Paciência, procedendo sem hesitar à necessária correcção. Futebol não é um jogo de cartas onde todas têm o mesmo valor independentemente das vezes que se baralhe. O maestro em 2005 ou 2006 não tem nem deve ser o mesmo de 2009, 2010 ou 2044 apenas porque tem a mesma cara e leva o mesmo nome. É preciso ver aquilo que fazem, e ver se o que fazem é bem feito. A avaliação tem de ser contínua e faz-se ao nível de opções tomadas. Não de resultados.
  1. MM, excelente e enigmático "post" quem for de compreender, perceberá tudo o que dizes e meditará naquilo que não escreveste mas está lá.
    Pela minha parte, vou recordar um acontecimento com menos de dois anos, um Sporting vs. Rio Ave numa sexta feira, 2 de abril de 2010.
    Dez sportinguistas vs. onze "rioavenses", do Sporting fora expulso (dez minutos depois de entrar em campo) um sacana, um malandro, um gajo que arranjara problemas com Costinha, um tipo que fingia lesões, um estrangeiro chamado Izmailov.
    Dos dez que ficaram em campo e venceram por cinco a zero, constavam (ou tinham constado): R.Patrício, João Pereira, Tonel (porque não vai à seleção?) Carriço, Pedro Mendes, Adrien, Miguel Veloso, João Moutinho, Postiga, Djaló e Liedson, para além destes onze portugueses jogaram, o jogador acima citado e ainda Grimi e "Matigol" que entrou aos 72 min. para o lugar de Veloso.
    Os golos foram de Djaló, 3, Liedson e Moutinho; destes três Liedson e Moutinho já foram campeões nacionais (infelizmente foram-no no ano seguinte a abandonarem o nosso clube) e Djaló está em segundo na classificação com os mesmos pontos do primeiro.
    O treinador desse Sporting era Carlos Carvalhal.
    Quanto a Izmailov (para que não interpretem mal o que escrevi de forma irónica) é, na minha opinião, o melhor, um dos melhores profissionais que o Sporting possui, actualmente.
    Comparo-o ao romeno Marius Nicolae que jogou muitas vezes debilitado, grandes jogadores, grandes homens e um golo fantástico de Marat no último domingo.

  1. É um bom exemplo Pedro, também dessa época que o «post» fala.
    Lembro bem o jogo, em particular 2 lances formidáveis:

    1. O último dos golos do Yannick, qualquer coisa de formidável.
    2. Um lance pela direita do ataque do Sporting com o Miguel Veloso a cruzar largo para o segundo poste onde apareceu o Liedson a finalizar com um género de "bicicleta".

    O «post» fala em 4 e não 6 porque o sentido de "jogador do Sporting" refere-se aos atletas que naturalmente deviam fazer parte do Sporting. Neste sentido, ou interpretação dos termos, o Nani não é relevante, nem o C. Ronaldo - são jogadores de outros campeonatos e que sem surpresa não jogam em Portugal. Miguel Veloso (para já), J. Moutinho (para já), deviam ainda hoje estar no Sporting por serem jogadores de imensa qualidade que nunca deviam ter saído para qualquer outro destino que não fosse um clube ou um campeonato melhor.
    Idem para Carlos Martins, Hugo Viana após a 2ª passagem pelo Sporting, o Simon Vukcevic e outros, servindo o Montenegrino de exemplo para que se perceba não ser uma questão de Academia VS outros. Trata-se de qualidade, apenas: preservá-la.

  1. Sobre o Paulo Bento, é um exemplo excelente na história recente do Sporting para se perceber que uma boa opção hoje não significa uma boa opção amanhã. Em 2005/06 e 2006/07 fazia algum sentido o Paulo Bento ser treinador do Sporting. Em 2007/08 surgiram indícios de que talvez não fosse boa ideia entregar-lhe os destinos da equipa do Sporting (não obstante as taças ganhas pelo 2º ano consecutivo). 2008/09 já não existiam dúvidas [e novamente apesar do relativo sucesso desportivo, progressão nas provas (meia-final da TP e final da TL, vitórias em Guimarães ou frente ao Benfica que "garantiram"o play-off para a LC)]: a relação não fazia bem a ninguém e o futebol era na esmagadora maioria do tempo muito mau. O cansaço era evidente e percebia-se que a história ia acabar mal.

    O que fizeram os decisores do Sporting naquela altura?
    Deixaram andar até o balão estoirar.

    Não significa(va) ser o Paulo Bento um mau treinador - certamente terá os seus indiscutíveis méritos. Da mesma forma que Domingos não é seguramente um mau treinador. A sua contratação fez sentido, mas 6 meses passados era evidente que não ia retirar o que podia dos seus jogadores, pelo que a sua permanência no Sporting não fazia sentido. Motivo pelo qual aplaudo Luís Duque ou quem no Sporting foi responsável pela decisão de substituí-lo.